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Escola XXI

Estudante 4.0 – Desafios da educação digital durante o distanciamento social

Com uma variedade de ferramentas e conteúdos, o estudante nativo digital encontra oportunidades e obstáculos.

Colaborou com este post:

DÉBORA REIS
Supervisora Pedagógica (6º e 7º anos do Ens. Fundamental) do Colégio Santo Agostinho – Nova Lima

 


Desde o final do século XVIII, quando o motor a vapor foi inventado e deu origem à clássica Revolução Industrial, passamos por intensas transformações na indústria. De lá para cá, a evolução das máquinas nos levou ao surgimento de novas tecnologias, como a internet, que impacta o mundo inteiro todos os dias. Um desses impactos está diretamente ligado à educação. Graças à internet, o conceito de “estudante 4.0” está sendo amplamente difundido no universo da educação básica.

Mas será que todos estão preparados para essa geração de estudantes 4.0?

Uma das principais características desse novo estudante é que ele não aprende mais de forma passiva, é preciso ir muito além daquele modelo no qual o professor ficava com um giz na mão, ensinando os alunos na lousa.

Para conhecer mais desse estudante 4.0, saber como ele se diferencia das gerações anteriores e quais os desafios que enfrenta, continue lendo este artigo.


 

O que é o estudante 4.0?

Os jovens que estão em sua caminhada estudantil nos dias atuais são verdadeiros nativos digitais.

Eles acordam com o celular despertando, escolhem o conteúdo para ver no YouTube ou na Netflix, passam o tempo curtindo os joguinhos de celulares e vão dormir após enviar várias mensagens pelo WhatsApp. Essa forma de consumir conteúdo, comunicar e também de aprender é muito comum para o estudante 4.0.

Ou seja, os formatos de aprendizado estão sendo alterados aos poucos na educação do estudante atual. Agora, é possível entrar em uma rede social de vídeos e ter acesso a inúmeros conteúdos sobre “a chegada dos portugueses ao Brasil”, “o fim da Idade Média”, entre outros, e já iniciar o processo de aprendizagem ali mesmo. Isso sem falar nos recursos de inteligência artificial e realidade aumentada que também vêm sendo inseridos gradativamente nas aulas do estudante 4.0.

Débora Reis, professora e supervisora pedagógica do Colégio Santo Agostinho – Unidade Nova Lima, explica um pouco mais:

“Os estudantes 4.0 precisam do meio digital até para o relacionamento entre eles. Aquele aluno que não tem acesso a uma rede social, por exemplo, tem dificuldade de fazer uso de uma plataforma digital de aprendizagem e se sente isolado socialmente”, explica.

Para Débora, o estado de distanciamento social chamou a atenção de pais e professores: não são todos os alunos que estão preparados para lidar com uma educação 4.0.

“O estudante 4.0 compreende que é preciso fazer as atividades online orientadas pelo professor, e muitos já têm certa familiaridade com o mundo digital. Mas essa não é uma realidade de todos os alunos. Por isso, precisamos ficar atentos às dificuldades de cada um”, ressalta a supervisora.

Conheça algumas características do estudante 4.0

  • Familiaridade com a tecnologia
  • Hiperconexão dentro e fora da sala de aula
  • Tem sua criatividade sempre estimulada
  • Usa os conceitos aprendidos em sala de aula na realidade do cotidiano
  • Possui traços fortes de autonomia nos estudos
  • Prefere estudar por múltiplos meios, como vídeoaula e conteúdos gamificados

Estudar na escola x estudar em casa

Devido à pandemia e ao isolamento social em casa, as instituições de ensino precisaram se adaptar urgentemente para acolher os alunos em plataformas online, criar aulas em vídeos e atividades digitais, tudo para que pudessem dar continuidade ao processo de aprendizagem.

Neste novo cenário, o estudante 4.0 se saiu bem, principalmente por conta da autonomia de estudo que ele vem desenvolvendo.

No entanto, a supervisora pedagógica ressalta que não foi uma mudança fácil para todos. Não por que os alunos não fossem capazes, mas porque a mudança foi brusca demais.

“Dentro da sala de aula, o professor consegue olhar para o aluno e saber se ele está com dificuldade, mesmo que o estudante não fale. Com o distanciamento social, o professor perdeu esse contato visual com os alunos, por isso, muitos deles podem estar se sentido perdidos”, esclarece Débora.

Essa percepção acaba por ampliar a noção de estudante 4.0, que não basta ter acesso comum aos meios digitais, mas precisa contar com uma metodologia de ensino que o ajude a focar no aprendizado e a ter disciplina nos estudos.

Vale ressaltar que esse desenvolvimento é gradual e, caso não seja feito sob uma estrutura pedagógica e que respeite as necessidades do aluno, pode criar um caminho inverso, levando o estudante ao esgotamento emocional.

O volume de conteúdo na internet é uma dificuldade?

É bem provável que você já tenha se deparado com alguma informação falsa na internet, as chamadas fake news.

Infelizmente, esse também é um dos maiores problemas do estudante 4.0, que necessita ter suporte para adquirir conhecimento e alcançar maturidade na escolha de informação.

Por exemplo: em uma pesquisa simples no Google sobre o período e região da Mesopotâmia, é possível encontrar mais de 19 milhões de conteúdos relacionados.

A ordem de ranqueamento das páginas na busca não leva em conta a veracidade da informação, mas diversos outros fatores que podem variar a depender do histórico de pesquisa no computador, dos acessos da conta cadastrada no equipamento, etc. 

O alto volume de resultados e a falta de critério na disponibilidade das informações podem direcionar o estudante a resultados pouco satisfatórios para sua pesquisa.

“Não é aconselhável que o aluno tenha que escolher sozinho qual conteúdo ele vai estudar, ele ainda não tem maturidade para isso, mesmo o estudante 4.0 familiarizado aos meios digitais. É importante que ele siga o norte direcionado pela escola, pois existem vários conteúdos desconexos por aí, que podem acabar confundindo ainda mais o aluno”, explica a supervisora Débora.

Como o estudante 4.0 pode identificar um conteúdo seguro para estudar?

Existem várias vertentes dentro de uma mesma matéria. Por isso, é muito importante que o estudante 4.0 tenha o suporte de um profissional da educação para identificar se aquele conteúdo é seguro ou não.

“Se o aluno não contar com pessoas responsáveis, maduras e preparadas dentro do setor educacional, para direcioná-lo, fica ainda mais difícil para ele. É fundamental que ele siga as dicas de profissionais que realmente entendam do conteúdo”, ressalta Débora.

O estudante 4.0 e o futuro digital

Graças à transformação digital, as escolas estão podendo se reinventar de maneira muito positiva. Essa mudança vem trazendo com ela uma nova mentalidade nos alunos, que possuem agora uma grande gama de ferramentas e conteúdos para complementarem seus estudos na internet.

No entanto, é preciso tomar cuidado. A internet, embora seja uma ferramenta muito poderosa para educar, também tem seus perigos, o que requer cuidados extras.

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Comentários

2 comentários.

  1. É compreensível a necessidade de evolução e autonomia nos estudos. Acredito que o desafio agora é direcionar e ser assertivo com a seleção dos conteúdos de aprendizagem. Para isto, a parceria escola e pais torna-se ainda mais importante.

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